Álbum Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz já está em streaming

Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz

Já está disponível nas principais plataformas de streaming, como o Spotify, e serviços de compra online o CD “Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz”, o 15º álbum do poeta-cantador. O novo trabalho, independente, foi lançado oficialmente dia 18 de agosto, em Fortaleza, e celebra os seus 30 anos de estrada, que serão completados em 2019. A efeméride faz referência ao primeiro LP (Cantolínia Psicordélica), lançado em 1989 pela PolyGram, uma das maiores gravadoras do mundo à epoca.

No álbum, com 15 faixas, Marcus Lucenna reúne regravações em novos arranjos de sucessos autorais, de canções compostas em parceria com outros artistas e de clássicos do forró de compositores que lhe serviram de inspiração, como Luiz Gonzaga – cuja morte também completará 30 anos em 2019. Militante da cultura popular nordestina, Marcus Lucenna escolheu o repertório com vista a refazer musicalmente as suas jornadas de vida e artística, que se misturam à história do forró e se entrecruzam com figuras importantes do gênero.

Confira alguns destaques:

RESPOSTA A CAETANO VELOSO – Entre os sucessos autorais que receberam nova roupagem com arranjos e regência de Adelson Viana e Tarcísio Sardinha, estão “Apmas (O Avessos do Avesso)”, uma canção-resposta a “Sampa”, de Caetano Veloso. Em sua música, Lucenna homenageia São Paulo com termos mais abonadores que os usados pelo cantor baiano em sua canção de 1978, há exatos 40 anos.  Foi uma forma de reverenciar a cidade que acolheu e acolhe seus conterrâneos nordestinos.

PARTICIPAÇÃO DOS “GONZAGÕES” DO CINEMA E DO TEATRO – Entre as participações especiais na gravação do álbum estão Chambinho do Acordeon, que interpretou o Rei do Baião no cinema (Gonzaga – de Pai pra Filho), e Marcelo Mimoso, que o fez no teatro (musical Gonzagão, a Lenda). Chambinho canta junto com Marcus Lucenna “O Ritmo dos Corações”, uma das inéditas em que o compositor celebra o baião personificando-o, assim como Zé Ketti em “Eu sou o Samba”. E ambos participam, ao lado de outros artistas, da gravação de “Hino da Feira de São Cristóvão (Vida Retirêra)”.

HOMENAGEM AO REDUTO NORDESTINO CARIOCA – Em “Hino da Feira de São Cristóvão (Vida retirêra)”, outra autoral, o artista homenageia o Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a Feira de São Cristóvão, no Rio. Além de Marcelo Mimoso e Chambinho do Acordeon, participaram da gravação os músicos Adelson Viana, Neidinha Rocha e Jadiel Guerra.

CRITICA SOCIAL E À POLARIZAÇÃO POLÍTICA – Entre as faixas autorais também está “O Salvador Daqui”, em que o compositor se posiciona frente à realidade social brasileira. Na letra, Marcus Lucenna faz um trocadilho com o nome do pintor catalão Salvador Dalí para denunciar a situação de exclusão social de crianças, negros e retirantes, moradores das favelas e periferias das grandes cidades. Também faz referência a “Guernica”, obra de Pablo Picasso que denunciou os horrores da Guerra Civil Espanhola e a divisão do povo daquele país. Trata-se de uma metáfora e um alerta sobre a polarização política brasileira, além de um clamor pela pacificação do país.

REFÚGIO FLUMINENSE DE LUIZ GONZAGA – No novo álbum Marcus Lucenna empresta sua voz a “Vassouras”, composição de Luiz Gonzaga e David Nasser que reverencia o município do interior fluminense onde o Rei do Baião tinha seu refúgio contra o corre-corre da vida de artista e problemas pessoais. Atualmente, assim como Luiz Gonzaga, Marcus Lucenna tem na região seu local para descanso da rotina atribulada do Rio de Janeiro. Mais especificamente, em Miguel Pereira, distrito de Vassouras à época de Gonzaga, que contribuiu para sua emancipação. O segundo prefeito do então novo município (conhecido como Zé Nabo) é citado em “Forró de Cabo a Rabo”, faixa-título do álbum de Luiz Gonzaga responsável por recolocá-lo no cenário musical brasileiro depois de um período de ostracismo vendendo mais de 1 milhão de discos. O hit também foi regravado por Marcus Lucenna no novo CD.

HOMENAGEM AOS CORDELISTAS – O lançamento do álbum coincide com o iminente reconhecimento do cordel como Patrimônio Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional (IPHAN), previsto para setembro. Em “A Mala do Folheteiro”, Marcus Lucenna e o coautor Klévisson Viana, que também é cordelista, homenageiam seus pares na figura do vendedor de cordéis, muitas vezes o próprio autor das obras. Na canção, o artista faz referências a cordéis antológicos como “O Romance do Pavão Misterioso”, “A Vida de Pedro Cem”, “O encontro de João Grilo com Pedro Malazarte”, “As perguntas do Rei e as respostas de Camões”, além dos romances de bravura sobre vaqueiros valentes e seus amores.

CLÁSSICO “CABOCLO SONHADOR” – Outra parceria de Marcus Lucenna no álbum é o cantor e compositor Maciel Melo. Eles cantam juntos “Caboclo Sonhador”, canção de autoria de Maciel Melo e popularizada pelo cantor Fagner.

Completam a obra as canções “Retirante” (cuja letra leva toques autobiográficos), “Faísca na Gasolina”, “Tome Cheiro” (composta com Roque da Paraíba e Edson Show), “Heroivô” (uma homenagem a seu avô), “Fundamental” (composta com João de Deus e Dedé Nepó) e “Coração de Fogueira” (de Adelson Viana e Paulo Viana).

Ouça trechos das canções

Ouça o álbum completo