“Vassouras”, de Luiz Gonzaga, recebe novos arranjos e adaptações em novo álbum de Marcus Lucenna

Marcus Lucenna regrava clássico "Vassouras"Lançada em 1956, no álbum Aboios e Vaquejadas, a música “Vassouras”, de Luiz Gonzaga em parceria com David Nasser, acaba de ganhar uma regravação. O xote que enaltece o município fluminense que serviu de refúgio para o Rei do Baião está agora no álbum “Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz”, que o poeta-cantador membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) acaba de lançar. Nessa nova versão, que está sendo muito elogiada pelos críticos, Marcus Lucenna faz algumas atualizações na letra, de ordem geopolítica e lexical.

Sob os arranjos e a regência de Adelson Viana e Tarcísio Sardinha, o cantador acrescenta, por exemplo, o município de Paty do Alferes, distrito de Vassouras à época de Luiz Gonzaga. No trecho em que a canção fala dos atributos terapêuticos da região, Marcus Lucenna usa termos mais contemporâneos como “Nesse sobe serra, desce serra/quanta gente vai curtindo/o ar da montanha/quem está estressado fica zen/o doente fica bem/saúde ganha”. O objetivo principal, no entanto, não muda: reverenciar a região considerada por Luiz Gonzaga como “Suíça Brasileira”.

Marcus Lucenna conta que o interesse em regravar a canção surgiu quando foi a Miguel Pereira ouvir histórias de pessoas que conheciam Luiz Gonzaga para o livro que está escrevendo, homônimo ao CD, em que entrelaça sua trajetória de vida à história do forró e seus personagens.

“O município de Miguel Pereira, que à época de Luiz Gonzaga era distrito de Vassouras, tem propriedades terapêuticas, em razão do clima e da qualidade do ar. Luiz Gonzaga teria comprado o terreno na região e estabelecido a Fazenda Asa Branca lá por influência de amigos, que lhe indicavam o local quando ele se dizia cansado das viagens para shows, que eram feitas de carro e em estradas muito ruins”, explica Marcus Lucenna, que, por sua vez, também foi influenciado pelas histórias que ouviu e adquiriu propriedade na região para fazer seu refúgio da rotina atribulada de artista.

FORRÓ DO PREFEITO ZÉ NABO – Mas a música “Vassouras” não é a única do álbum que faz referência ao Centro-Sul Fluminense. Entre as três regravações – as outras 12 faixas são autorais e/ou com parceiros –, está também “Forró de Cabo a Rabo”, outra do Rei do Baião, desta vez com João Silva. Também sob novos arranjos na versão de Marcus Lucenna, a letra fala de quão animado era o forró na casa do Zé Nabo. Trata-se do segundo prefeito do recém-emancipado município de Miguel Pereira, do qual a esposa de Luiz Gonzaga, Helena, foi vereadora. Luiz Gonzaga criou a primeira escola do município e, com seus shows, ajudou a arrecadar dinheiro para a criação do primeiro hospital, que hoje leva seu nome. “Forró de Cabo a Rabo” foi a faixa-título do álbum de 1986 que tirou Luiz Gonzaga do ostracismo vendendo mais de 1 milhão de cópias e o recolocando na cena musical brasileira. A previsão é de que em outubro o artista participe do show que comemora os 63 anos do município de Miguel Pereira.

LETRA DE VASSOURAS
Marcus Lucenna (Luiz Gonzaga/David Nasser)
Vassouras, Vassouras
Bela cidade dos tempos coloniais
Vassouras, Vassouras
O tempo passa e cada vez te amo mais
Palmeiras ao vento
Dando viva, boas-vindas ao passageiro
Fugitivo do calor que tá fazendo
Lá em baixo, lá no Rio de Janeiro
Adeus Leblon, Copacabana e Icaraí
Vou pra Vassouras, como é bom estar ali
Nesse sobe serra, desce serra
Quanta gente vai curtindo o ar da montanha
Quem está estressado fica zen
O doente fica bem
Saúde ganha
Por isso eu vou
Pra Suíça brasileira
Paty do Alferes e a bela Miguel Pereira
Vassouras, Vassouras (bis)

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LETRA DE FORRÓ DE CABO A RABO
Marcus Lucenna (Luiz Gonzaga/João Silva)
Eu fui dançar um forró
Lá na casa do Zé Nabo
Nunca vi forró tão bom
Nessa noite quase me acabo
Tinha um mundão de mulé
Sanfoneiro como o diabo
O forró tava gostoso
Era forró de cabo a rabo

Vixe, como eu tô feliz
Olha só como eu tô pabo
Nunca mais eu vou perder
O forrozão lá do Zé Nabo (refrão 2x)

Era poeira subindo
Era aquele poeirão
E os cabra não deixava o Zé aguar o chão
Ele chamou o soldado
E o soldado chamou o cabo
E o forró continuou
E foi forró de cabo a rabo

Vixe, como eu tô feliz
Olha só como eu tô pabo
Nunca mais eu vô perder
O forrozão lá do Zé Nabo (refrão 2x)
(bis)

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