Marcus Lucenna e grandes nomes do forró nacional homenageiam a Feira de São Cristovão

No mês em que comemora aniversário – 73 anos de fundação e 15 anos dentro do Pavilhão de São Cristóvão –, o Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas do Rio acaba de ganhar uma homenagem musical feita por importantes nomes da cena forrozeira nacional.

Composta pelo poeta-cantador Marcus Lucenna, ex-gestor do local, a música “Hino da Feira de São Cristóvão (Vida retirêra)” foi gravada por ele com as participações de Adelson Viana (considerado sucessor de Dominguinhos), Marcelo Mimoso (que interpretou Luiz Gonzaga no teatro), Chambinho do Acordeon (que viveu o Rei do Baião no cinema), Neidinha Rocha (da Orquestra Sanfônica do Rio) e Jadiel Guerra (coordenador do Fórum Forró de Raiz RJ).

A canção lembra a situação de nordestinos que, por conta da seca, deixaram o Sertão para procurar vida melhor no Rio de Janeiro e, aqui chegando, encontraram um lugar para celebrar suas raízes. A letra, que foi composta em linguagem matuta (Seu dotô eu vim de longe/Pra pudê tentá a sorte/Lá nas banda do meu norte/ As coisa num tava boa…), homenageia os primeiros retirantes, como os que fundaram a Feira de São Cristóvão, muitos deles iletrados.

Ouça a canção aqui

A música já está nas principais plataformas de streaming, como Spotify e Deezer, integrando o álbum “Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz”, que acaba de ser lançado pelo artista potiguar radicado no Rio de Janeiro e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). O trabalho celebra os 30 anos de estrada de Marcus Lucenna, que serão completados em 2019. A efeméride faz referência ao primeiro LP (Cantolínia Psicordélica), lançado em 1989 pela PolyGram, uma das maiores gravadoras do mundo à epoca.

LETRA

Hino da Feira de São Cristóvão  (Vida Retirêra)

Autor: Marcus Lucenna

Seu dotô eu vim de longe / Pra pudê tentá a sorte / Lá nas banda do meu norte / As coisa num tava boa / Secô o ri a lagoa / O açude isturricô / Fiz de tudo pra ficá / Do sertão num arribá / Mas a seca num dexô

Eu qui sô trabaiadô / Adoro a luta do gado / Quando vi o meu roçado seco / E o meu boi magrelo / Eu fiquei sem currutelo / E pra num butá buneco / Peguei os fi e a patrôa / E vim pro Ri de Janêro / Percurá vida mais boa

Aqui eu só num murri / Cum sodade da vidinha / Que lá no sertão eu tinha / Pruquê achei um lugá / Onde pude incontrá / Minha gente meus irmão / Pra tumar umas bicada / Tirá gosto cum buchada / Ouvi repente e baião / Pra dançar uns forrozim / E num me sinti sozim / Neste Ri de ilusão

Na Fêra de São Cristóvo somos tudo Paraíba / Zé de Bacho, Zé de Riba / Sertanêjo nordestino / Juntamo nosso distino / Nossa vida retirêraPruquê na segunda fêra / A nossa corage dobra / Quebramo quarquer pedrêra / Somos pau pra toda obra.